{"id":197,"date":"2020-04-05T12:03:45","date_gmt":"2020-04-05T12:03:45","guid":{"rendered":"http:\/\/r-etnograficobarracheia.pt\/?page_id=197"},"modified":"2020-04-10T21:37:29","modified_gmt":"2020-04-10T21:37:29","slug":"apontamentos-sobre-caramelos","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/r-etnograficobarracheia.pt\/index.php\/localidade\/apontamentos-sobre-caramelos\/","title":{"rendered":"Apontamentos sobre Caramelos"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes da funda\u00e7\u00e3o do Rancho Etnogr\u00e1fico da Barra Cheia, em 1980, pouco ou nada se falava sobre o <strong>Povo Caramelo<\/strong>, nem t\u00e3o pouco os ranchos folcl\u00f3ricos existentes nos distrito defendiam as tradi\u00e7\u00f5es Caramelas, em boa hora, os diretores que formaram o Rancho Etnogr\u00e1fico da Barra Cheia, convidaram para ensaiador o j\u00e1 falecido Joaquim Afonso Madeira, Algarvio, que se radicou muito jovem em Alhos Vedros, pessoa muito interessado pelo meio em que vivia, logo nos aconselhou que o Rancho da Barra Cheia, para ser autentico <strong>tinha que representar os riqu\u00edssimos costumes e tradi\u00e7\u00f5es dos seus antepassados, os Povos Caramelos, <\/strong>foram iniciados os estudos poss\u00edveis e posteriormente transmitidos para o Rancho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s a organiza\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias a\u00e7\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o de folclore, jornadas, encontros e col\u00f3quios, quase todos os grupos do distrito se reclamam de Caramelos mesmo aqueles que n\u00e3o tem qualquer prova das migra\u00e7\u00f5es para as suas localidades, ou qualquer estudo sobre estas gentes.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"> <\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">\u00c9 consensual entre os entendidos, que as migra\u00e7\u00f5es dos Povos Caramelos foi dividida em tr\u00eas fases:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"> <\/p>\n<ul class=\"wp-block-list\" style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong>a primeira com a vinda de trabalhadores para as quintas de Azeit\u00e3o, que acabaram por se fixar nos Brejos de Azeit\u00e3o, <\/strong><\/li>\n<li><strong>a segunda, para Barra Cheia, Penalva e Arroteias, posteriormente Brejos da Moita, <\/strong><\/li>\n<li><strong>e a terceira para a regi\u00e3o de Pinhal Novo, <\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"> <\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\"><strong>a chegada a Barra Cheia dos primeiros Caramelos de ir e vir, deviam ter acontecidos a partir do final do s\u00e9culo 18, prolongando com maior fluxo at\u00e9 meados do s\u00e9culo 19, <\/strong>conforme consulta dos registos Paroquiais de casamentos, sec. 19, a sua grande maioria eram naturais dos concelhos de Mira e Cantanhede, especialmente das freguesias de S. Tom\u00e9\u00a0 e N\u00aa S\u00aa do \u00d3, nos registos de Batismos de crian\u00e7as aqui nascidas, os pais e os av\u00f3s s\u00e3o naturais dos referidos concelhos, o mesmo acontece nos registo de cemit\u00e9rio e certid\u00f5es de \u00f3bito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"> <\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Muitas fam\u00edlias Caramelas, por motivos desconhecidos, receberam e adotaram crian\u00e7as expostas \u201c\u00f3rf\u00e3s ou abandonadas\u201d da Santa Casa da Miseric\u00f3rdia de Lisboa, conforme v\u00e1rios registos de Casamento e \u00f3bito.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"> <\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">Os Caramelos de Ir e Vir, no inicio vinham apenas para trabalhar, por conta dos grandes propriet\u00e1rios das herdades da regi\u00e3o <strong>\u201cHoje Barra Cheia e Cortajeira\u201d, fazendo a limpeza dos matos e pinhais de terras incultas, tornando-as f\u00e9rteis e realizando as culturas de sequeiro, ap\u00f3s as colheitas regressavam as suas terras de origem, viviam em cabanas feitas de canas, ramos de pinheiro, e palha de centeio e trigo com a cobertura tamb\u00e9m em palha, ao longo do tempo fixaram em terras foreiras, cedidas pelos propriet\u00e1rios, constru\u00edram as primeiras casas em adobo de terra e barro com cobertura em palha, posteriormente cobertura em telha, abriram charcos, criaram condi\u00e7\u00f5es de vida, iniciaram as culturas de vinha e alguma agricultura de regadio especialmente para a pr\u00f3pria alimenta\u00e7\u00e3o, aqui se produziu o melhor vinho da regi\u00e3o, era frequente a troca de alimentos entre as fam\u00edlias, carne de porco aquando das matan\u00e7as e p\u00e3o quando se cozia, retribuindo-se posteriormente os produtos trocados, permitindo assim alimentos frescos essenciais por per\u00edodos mais curtos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"> <\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Os Caramelos eram bons trabalhadores, produziam mais e melhor do que os naturais desta regi\u00e3o, sendo mais remunerados pelos patr\u00f5es, trazendo um certo descontentamento pelos restantes trabalhadores.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"> <\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">O trabalhador Caramelo tinha como grande objetivo, criar riqueza pr\u00f3pria para enviar para a terra Natal, e comprar as suas pr\u00f3prias terras e cultiva-las, muitos, a pouco e pouco conseguiram os seus objetivos, com direitos foreiros adquiram as suas parcelas de terra, certamente por simpatia e reconhecimento dos antigos propriet\u00e1rios, grande parte destas terras foram transmitidas de pais para filhos, como foreiras algumas at\u00e9 a 1974, ano de extin\u00e7\u00e3o da lei dos Foros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"> <\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\"><strong>A popula\u00e7\u00e3o da Barra Cheia, viveu isolada de tudo, para chegar a Moita ou Alhos Vedros, tinha que percorrer cerca de uma l\u00e9gua, por maus caminhos de areia, s\u00f3 na passada d\u00e9cada de 60, se iniciou a constru\u00e7\u00e3o da estrada para Moita e muito mais tarde a estrada para Alhos Vedros<\/strong>, uma ida ao m\u00e9dico, acompanhar um funeral ida a uma reparti\u00e7\u00e3o publica era um autentico sacrif\u00edcio, este isolamento certamente contribuiu para a morte de muitas crian\u00e7as e suas m\u00e3es durante o parto, conforme leitura atenta dos registo de funerais do cemit\u00e9rio de Alhos Vedros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"> <\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Apesar de viverem mais pr\u00f3ximo de Moita e Alhos Vedros, os Caramelos viveram muito voltados para Sesimbra e Set\u00fabal, devido ao mau acolhimento dos naturais da Moita, e por serem terras \u00e1 beira-mar.<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"> <\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">Os Caramelos que se fixaram na Barra Cheia, sempre mantiveram as suas tradi\u00e7\u00f5es religiosas, no inicio constru\u00edram duas Alminhas, uma delas no local onde hoje existe a atual Capela, existia nesta a imagem de Santa Conga ou Santa Conicha e Santo Car\u00e1rio ou Santo Eucar\u00e1rio, mas devido \u00e0 popula\u00e7\u00e3o da Moita e Alhos Vedros gozarem com os Caramelos pelos nomes dos seus Santos, estes acabaram por tomar como sua Padroeira N\u00aa. S\u00aa da Atalainha pela sua grande devo\u00e7\u00e3o a N\u00aa. S\u00aa. da Atalaia do Montijo, em 7 de Novembro de 1864, Manuel Gomes \u201cPadre Nosso\u201d e sua mulher Ana dos Santos Miranda, doaram por escritura publica uma parcela de terreno com cerca de 5.000 metros quadrados para a constru\u00e7\u00e3o da ermida de Nossa Senhora da Atalaia na Barra Cheia, no lugar onde existia a \u201cAlminha\u201d j\u00e1 referida, alegando que \u201cexistiam na proximidade da sua propriedade em n\u00famero de 60 a 70 fogos que pela distancia a que se acham da Igreja Matriz a que pertencem, faltam em quase todo o ano aos Of\u00edcios Divinos a que \u00e9 obrigado todo o Fiel Crist\u00e3o, se resolveram eles e seus vizinhos a edificar a ermida a N\u00aa. S\u00aa da Atalaia, cuja imagem aquele povo t\u00eam e festejam anualmente em Romaria, requerendo ao Sr. Cardeal que lhe conceda a respetiva autoriza\u00e7\u00e3o\u201d a imagem existente pertencia ao C\u00edrio que anualmente ia a Atalaia, foi constru\u00edda a ermida, a mesma caiu em 24 de Dezembro de 1941 durante chuvas torrenciais, sendo reconstru\u00edda a atual em 1954, que j\u00e1 sofreu v\u00e1rias amplia\u00e7\u00f5es e restauros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"> <\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Por volta de 1900, o trabalho e as terras j\u00e1 n\u00e3o chegavam para sobreviv\u00eancia de todas as fam\u00edlias, os filhos procuraram outros rumos, uns para o Brasil, outros iniciam uma nova povoa\u00e7\u00e3o em Fern\u00e3o Ferro, a duas l\u00e9guas da Barra Cheia.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"> <\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os ourives de Mira e Cantanhede, que regularmente visitavam os seus conterr\u00e2neos, tiveram um papel importante, quer na venda de ouro a presta\u00e7\u00f5es, quer por trazer e levar as not\u00edcias dos familiares que viviam nos concelhos de origem, eram estes que traziam na maior parte das vezes as noticias da morte de familiares.<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"> <\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Com esta simples mas justa Homenagem ao Povo Caramelo, pretendemos reconhecer o trabalho por este realizado, que contribuiu para o desenvolvimento da regi\u00e3o, e aprofundar o estudo sobre os motivos que levaram estas gentes a sair da sua terra Natal e relan\u00e7ar um maior interc\u00e2mbio de Culturas entre ambas a regi\u00f5es de forma a honrar os nossos antepassados mantendo viva a sua hist\u00f3ria e her\u00f3ica aventura.<\/b><\/p>\n<\/blockquote>\n<p> <\/p>\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Manuel Fernando Miguel<br \/>Barra Cheia, 24 de Novembro de 2002<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antes da funda\u00e7\u00e3o do Rancho Etnogr\u00e1fico da Barra Cheia, em 1980, pouco ou nada se falava sobre o Povo Caramelo, nem t\u00e3o pouco os ranchos folcl\u00f3ricos existentes nos distrito defendiam as tradi\u00e7\u00f5es Caramelas, em boa hora, os diretores que formaram o Rancho Etnogr\u00e1fico da Barra Cheia, convidaram para ensaiador o&#8230;<\/p>\n<p> <a class=\"continue-reading-link\" href=\"https:\/\/r-etnograficobarracheia.pt\/index.php\/localidade\/apontamentos-sobre-caramelos\/\"><span>Continue reading<\/span><i class=\"crycon-right-dir\"><\/i><\/a> <\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"parent":55,"menu_order":3,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"h5ap_radio_sources":[],"footnotes":""},"class_list":["post-197","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/r-etnograficobarracheia.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/197","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/r-etnograficobarracheia.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/r-etnograficobarracheia.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/r-etnograficobarracheia.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/r-etnograficobarracheia.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=197"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/r-etnograficobarracheia.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/197\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":323,"href":"https:\/\/r-etnograficobarracheia.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/197\/revisions\/323"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/r-etnograficobarracheia.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/55"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/r-etnograficobarracheia.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=197"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}