{"id":193,"date":"2020-04-05T11:32:54","date_gmt":"2020-04-05T11:32:54","guid":{"rendered":"http:\/\/r-etnograficobarracheia.pt\/?page_id=193"},"modified":"2020-04-10T21:33:50","modified_gmt":"2020-04-10T21:33:50","slug":"caracterizacao-da-regiao","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/r-etnograficobarracheia.pt\/index.php\/localidade\/caracterizacao-da-regiao\/","title":{"rendered":"Caracteriza\u00e7\u00e3o da Regi\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"text-align: justify;\">A Barra Cheia, est\u00e1 situada a 25 Km de Set\u00fabal e a cerca de 30 Km de Lisboa. \u00c9 uma vasta \u00e1rea rural pertencente \u00e0s atuais Freguesias de Alhos Vedros no concelho da Moita, Freguesia de Quinta do Anjo no concelho de Palmela e Freguesia de Santo Ant\u00f3nio da Charneca (antigamente integrada na Freguesia de Palhais) no concelho do Barreiro. Foi entretanto unida nos costumes e tradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\"><strong>A Barra Cheia da Freguesia de Alhos Vedros \u00e9 aquela que mant\u00e9m vivas as tradi\u00e7\u00f5es e costumes do Povo Caramelo.<\/strong> A partir da d\u00e9cada de 60, com a cria\u00e7\u00e3o de postos de trabalho na Siderurgia Nacional e CUF, iniciou-se um movimento migrat\u00f3rio de fam\u00edlias oriundas do Alentejo, que rapidamente se misturou com a popula\u00e7\u00e3o local, dando tamb\u00e9m origem a novos costumes e fam\u00edlias mistas, sendo criado um Bairro Alentejano na Barra Cheia da Quinta do Anjo e a pouco e pouco perdeu o seu nome de origem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"> <\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">O Rancho assenta nos costumes, tradi\u00e7\u00f5es, dan\u00e7as e cantares dos povos que povoaram e desenvolveram a Barra Cheia, denominados de <strong>\u201cCaramelos de ir e vir\u201d<\/strong> depois s\u00f3 por <strong>\u201cCaramelos\u201d<\/strong>, oriundos da Beira Litoral, especialmente dos concelhos de Mira e Cantanhede \u201cRegi\u00e3o Gandaresa\u201d, que se radicaram nesta regi\u00e3o assim como nas localidades lim\u00edtrofes nos princ\u00edpios do S\u00e9culo XIX.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"> <\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">Esta comunidade (quase todos aparentados) viveu em fam\u00edlia, sem grandes altera\u00e7\u00f5es na sua pr\u00f3pria cultura, costumes e tradi\u00e7\u00f5es de origem, at\u00e9 \u00e0 chegada das gentes Alentejanas. O primeiro casamento entre um descendente de Caramelos com uma filha de Alentejanos ocorreu na d\u00e9cada de 70, tendo este casamento causado na altura enorme espanto e coment\u00e1rios, a partir da\u00ed tudo foi normal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"> <\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">Os Caramelos, eram indiv\u00edduos que vieram a caminho do Alentejo \u00e0 procura de trabalho, mas que acabaram por se fixar na regi\u00e3o. <strong>Eram povos Crist\u00e3os, ligados \u00e0 devo\u00e7\u00e3o de N. Sr\u00aa. da Escudeira, N. Sr\u00aa. da Atalaia, N. Sr\u00aa. da Arr\u00e1bida e a N. Sr\u00aa. do Cabo Espichel, sendo a N. Sr\u00aa. da Atalaia aquela que, maior devo\u00e7\u00e3o criou no cora\u00e7\u00e3o deste povo pelas gra\u00e7as recebidas.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"> <\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A maior riqueza dos Caramelos que lhes permitiu a fixa\u00e7\u00e3o foi serem muito trabalhadores, honestos e cumpridores da sua palavra, conquistando assim a simpatia e apre\u00e7o dos grandes propriet\u00e1rios, sendo os primeiros a ser contratados na pra\u00e7a de trabalho.<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"> <\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">Esta situa\u00e7\u00e3o permitiu a muitos obter terras foreiras para a sua fixa\u00e7\u00e3o, muitos deles posteriormente pediam dinheiro emprestado para comprar as suas pr\u00f3prias terras, hipotecando as mesmas, e com o seu trabalho iam pagando a divida e respetivos juros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"> <\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">A Barra Cheia \u00e9 constitu\u00edda por uma plan\u00edcie com algumas eleva\u00e7\u00f5es sendo a maior a do Cabe\u00e7o do Moinho. A plan\u00edcie \u00e9 constitu\u00edda por terrenos de regadio, vinhas (em extin\u00e7\u00e3o), oliveiras, \u00e1rvores de fruto diversas e terras f\u00e9rteis para cereais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"> <\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">No cabe\u00e7o do Moinho existiu at\u00e9 princ\u00edpios da segunda d\u00e9cada do s\u00e9culo XX o \u00fanico moinho de vento na Freguesia de Alhos Vedros (na sede de freguesia existiam apenas moinhos de mar\u00e9). <strong>Aqui se preparava a farinha para alimentar a popula\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o, avistando-se deste local toda a regi\u00e3o at\u00e9 \u00e0s encostas do Castelo de Palmela e serra da Arr\u00e1bida.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"> <\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">As M\u00fasicas e Cantares que utilizamos eram cantadas e dan\u00e7adas nas festas caseiras, como as matan\u00e7as de porcos, os casamentos, as desfolhadas, e nos pontos de reuni\u00e3o quando o povo se deslocava para as romarias de N. Sr\u00aa. da Atalaia e outras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"> <\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: justify;\">Partes das m\u00fasicas foram recolhidas nas pessoas mais idosas da Barra Cheia e localidades da regi\u00e3o. As restantes foram adotadas por um manuscrito publicado pelo Museu de Etnografia de Set\u00fabal, que re\u00fane uma vasta obra recolhida nas principais romarias da regi\u00e3o, em \u00e9pocas diferentes pelo falecido m\u00fasico e romeiro Celestino Rosado Pinto; obra que sua filha Dr\u00aa. Maria Adelaide Rosado Pinto, publicou em 1967 com o patroc\u00ednio do Museu de Etnografia de Set\u00fabal.<\/p>\n<p> <\/p>\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Manuel Fernando Miguel<br \/>Barra Cheia, 26 de Setembro de 2018<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Barra Cheia, est\u00e1 situada a 25 Km de Set\u00fabal e a cerca de 30 Km de Lisboa. \u00c9 uma vasta \u00e1rea rural pertencente \u00e0s atuais Freguesias de Alhos Vedros no concelho da Moita, Freguesia de Quinta do Anjo no concelho de Palmela e Freguesia de Santo Ant\u00f3nio da Charneca&#8230;<\/p>\n<p> <a class=\"continue-reading-link\" href=\"https:\/\/r-etnograficobarracheia.pt\/index.php\/localidade\/caracterizacao-da-regiao\/\"><span>Continue reading<\/span><i class=\"crycon-right-dir\"><\/i><\/a> <\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"parent":55,"menu_order":1,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"h5ap_radio_sources":[],"footnotes":""},"class_list":["post-193","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/r-etnograficobarracheia.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/193","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/r-etnograficobarracheia.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/r-etnograficobarracheia.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/r-etnograficobarracheia.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/r-etnograficobarracheia.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=193"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/r-etnograficobarracheia.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/193\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":520,"href":"https:\/\/r-etnograficobarracheia.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/193\/revisions\/520"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/r-etnograficobarracheia.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/55"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/r-etnograficobarracheia.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=193"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}